10
mar
12

ANJOS DE DEUS

Deus sempre colocou anjos em meu caminho, anjos que se manifestam nos momentos menos esperados. Muitos desses anjos mal me conhecem, mas fizeram questão de entrar em minha vida.

Tem aqueles anjos que me escrevem cartas, outros rezam, incansavelmente, por mim. Há anjos que oram implorando a Deus pela minha recuperação, antes de iniciarem as aulas.

Há, ainda, aqueles anjos que esquecem dos seus problemas e se comovem com os meus. Anjos que me viram nascer, anjos que eu vi nascer, anjos que, inicialmente, eu não quis conhecer, no entanto, eu me arrependi pelo tempo perdido. Um desses anjos que conheci me apaixonei a primeira vista. Teve anjos que desenvolvi uma amizade infinita.

Anjos altos, pequenos, magros, gordos, índios, alemães, negros, homens e mulheres… TODOS OS TIPOS DE ANJOS!!!!!!!!

Sem falar nos anjos que me doam sangue trimestralmente, que me ligam diariamente, que me visitam sempre trazendo uma palavra de conforto. Tem os anjos que me dão remédios, anjos que me cuidam, anjos que zelam pelo meu sono, anjos que me dão carinho e correm em minha direção quando me vêm. Feliz de mim que sou rodeada de anjos que me alimentam com AMOR. Anjos que tem paciência, muita paciência comigo. Anjos que se preocupam, que me agradam. Anjos que se emocionam comigo.

Há anjos que estão sempre presentes, mas os ausentes também são anjos, pois vibram com minhas vitórias e sofrem com minhas derrotas.

Não posso esquecer dos anjos malucos, aqueles que são, realmente, completamente malucos. Que me fazem rir quando estou com dor, chorar de alegria e acreditar que sempre há luz no fim do tunel.

Os anjos sorridentes, cheios de iniciativas e cheios de vida levam a tristeza embora. Anjos católicos, espíritas e ateus me fazem ter mais fé em Deus.

E esses anjos, independente da classe social, etnia e cultura, estão sempre comigo nos momentos que eu mais preciso.  Pois são anjos que me amam, incondicionalmente, mesmo com minhas fraquezas e com os meus defeitos.

Sem eles minha cruz seria muito mais pesada, meus passos mais lentos, meu sofrimento maior, minha fé reduzida. Graças a esses anjos, magnificos anjos, enviados por Deus, é que sinto-me fortalecida, consolada, animada e pronta para enfretar a ardua caminhada, que me foi imposta, com fé, resignação, humor, alegria e cheia de esperança. É por causa desses anjos que eu nunca me dou por vencida.

Obrigado a minha família que está ao meu lado nos momentos mais tensos e comemora cada avanço como se fosse término de olimpíada, onde o Brasil levou todas as medalhas de ouro; aos vizinhos que sempre entram em contato e torcem por minha recuperação; a todos os meus amigos como a Carla, a Joice, a Josie e as enfermeiras (da hemodiálise, hemocentro e labimed) do HCAA que formaram laços fraternos comigo.

No entanto, quero agradecer em especial, aqueles meus amigos da labuta diária, aqueles que eu esperava apenas coleguismo e que me surpreenderam, se revelando amigos de uma magnitude impar: aos meus queridos amigos da Escola Marista Santa Marta que estão sempre preocupados com o meu bem estar, me doam sangue, constantemente, e me enchem de energia positiva. Posso dizer a eles que meu sangue é, literalmente, MARISTA e que eles têm exercido um papel muito importante na minha vida, fazendo parte da minha família. Não posso esquecer nunca das queridas irmãs, idosos e colegas do Asilo Vila Itagiba que fazem novenas e rezam cotidianamente pela minha recuperação.

A esses amigos e a todos os outros, serei eternamente grata e os levarei, para onde quer que eu vá, em meu coração.

Eu acredito que os amigos são como anjos que levantam nossos pés quando nossas asas esquecem como se voa!!!

Mais uma vez, obrigado. Patty Py

10
mar
12

6ª Parte – Março de 2012

Sai do hospital em janeiro, após ter sofrido uma perfuração no pulmão (denominada pneumotórax). Sentia falta de ar contante. Alguns médicos acreditaram ser anemia, fiz mais três bolsas de sangue (totalizando 47 de outubro até fevereiro). Com o nível quase normal de ferro e ferritina no sangue, as faltas de oxigênio não eram mais justificadas. Outros médicos, que me examinaram, atentamente, concluíram que eu estava com água no “pulmão”, ou seja, todo líquido por mim ingerido estava se acumulando no pulmão.  Reduzi a quantidade de água drasticamente, mesmo que impulsos incontroláveis de sede me tomassem como um mal súbito. No entanto, a falta de ar não melhorou e eu fiquei em casa, dia após dia, agonizando, dormindo sentada, me afogando constantemente com toses terríveis.

Na última segunda-feira fiz hemodiálise na parte da manhã. Sem ter forças para respirar, tirei o máximo de peso possível, na tentativa de liberar meu pulmão do líquido excessivo. Ao sair da sala, meu médico solicitou que eu permanecesse no hospital para ele me examinar. Não poderia ser diferente, baixei hospital. Ele chamou o cardiologista e um pneumologista maravilhoso que me tratou com muita atenção. Comecei a fazer uso de bombinha, nebulizador e novos medicamentos. Fiz Raio X , eletrocardiograma e um ecocardiograma, além de muitos exames de sangue. Muitos resultados deram bons, mas os que deram ruins, deram muito ruins. A perspectiva de vida encurtou pela metade, mas a fé é inabalavel.

Estou aguardando um médico que vem a Santa Maria uma vez por mês, ele faz um exame detalhado do coração e do pulmão, será este exame que vai definir e confirmar a gravidade do meu problema. Estou orando para que Deus interceda por mim, mas ao mesmo tempo não me importo com o que irá acontecer amanhã e nem tenho medo da morte. Estou vivendo um dia de cada vez, me permito ter alguns xiliques e derramar algumas lágrimas. Sou feliz independente de qualquer coisa, nada me abala. Deus, meu anjo da guarda, minha família e meus amigos me  dão a força que eu preciso.

 

19
jan
12

Janeiro de 2012

Para iniciar o ano bem, para variar, baixei hospital no segundo dia do ano. Ainda com sérios problemas intestinais e febre, necessitei passar por uma bateria de exames, fui revirada do avesso. No fim, tirando fora a reação alérgica que tive durante a transfusão de sangue e a videolaparoscopia que fiz, ocorreu tudo bem, melhorei significativamente, o lúpus não está mais ativo e, após 18 dias de hospitalização, pude retornar a minha residência e curtir meu filho e meu maridão.

De qualquer forma iniciei este ano cheia de esperança, alegria, felicidade. Acredito que tudo irã mudar para melhor. Estou cheia de planos que irao se concretizar com certeza, pois eu quero.

09
dez
11

Retrospectiva 2011

Iniciei o ano bem trabalhando muito. No entanto, necessitei retirar o rim transplantado. Após um mês e meio hospitalizada voltei pra casa e logo retornei ao trabalho.
Minha pressão teve alterações significativas, fato que reduziu o meu funcionamento cardíaco, passei a tomar muitos medicamentos para o coração e para hipertensão, totalizando 40 comprimidos diários.  Sai de licença para evitar um possível derrame ou ataque cardíaco: parei com os exercícios fisicos e uma porção de coisas que me divertiam.
Em agosto fiquei muito fragilizada devido ao meu estado clinico, acabei baixando hospital em setembro e descobri que estava com um cisto hemorrágico, no meu único ovário, mas não quis fazer a cirurgia para removê-lo. Em outubro retornei ao hospital com a fistula parada, por causa da hipotensão, coloquei cateter, com muita dificuldade, e fiz uma nova cirurgia no braço. Fiquei duas semanas em casa, já pro fim de novembro retorno ao hospital, desta vez com febre, infecção intestinal. Por estar desidratada as enfermeiras, depois de nove tentativas, desistiram de tentar pegar um acesso para aplicação de antibiótico, então fez-se necessário passar um cateter para administração de medicamentos. Durante o procedimento o médico furou meu pulmão, agora, além de tudo que já passei, estou com pneumotórax e um edema pulmonar.

Pode? Não é possível, mas já aconteceu e agora estou rezando para passar o natal e ano novo em casa e cantar para subir. hehehehe

VOLTA PRO MAR OFERENDA… AFFF

Bom, continuando meu menino passou para a 7ª série e cada dia que passa descubro que ele é um anjo que venho do céu iluminar minha vida. Agora, ele irá cursar o último ano do ensino fundamental.

Noivei com a pessoas mais incrível e especial que poderia ter conhecido e é ele que me incentiva a ser forte, sem falar que ele levanta meu astral e sempre consegue arrancar um sorriso de mim. Eu amo muito ele, como jamais amei.

Minha mãe passou no mestrado, perdeu 51 quilos e está linda, porém enlouquecida com os trabalhos finais. Agora ela virou riponga, faz meditação e adora coisas orientais, pedras e cristais. Até que eu estou gostando das viajadas que ela dá.

Minha irmã morou um tempo comigo, aguardando que o apartamento que ela comprou ficasse pronto, mas agora ela está feliz, pq já está morando na casa nova com seu fiel escudeiro (o gato).

Minha fé e esperança foram testadas aos extremos, portanto, cresci com a dor, assim como os lírios crescem no lodo e como a fênix morre e ressurge das cinzas.

Aconteceram diversas coisas, mas duas coisas me marcaram muito. A descoberta dos meus verdadeiros amigos e a revelação de que o amor verdadeiro existe sim!

E que venha 2012.

09
dez
11

Sorrir sempre, desistir nunca

Me hospitalizei nos dois últimos meses e agora estou hospitalizada novamente. As vezes, sinto vontade de espernear, pois fica difícil compreender tanto sofrimento. Sinto meu corpo queimando, minha pele doendo, as pernas fraquejando e mesmo assim quando as pessoas perguntam como eu estou? Sempre respondo: – Que estou bem, com um enorme sorriso no rosto.

As vezes, me sinto sozinha, lutando contra uma doença que tenta me vencer no cansaço, mal sabe ela que eu sou uma fortaleza. Ontem, refletindo sobre a vida, sobre as coisas que vi, ouvi e falei, notei que eu sou uma super heroína e que assim sendo nada me abaterá. Não há problemas, inveja, doença, ou qualque outra coisa ruim que me atinja e me derrube, aliás, podem sim me derrubar, mas cada vez que eu levantar estarei mais forte. Porque eu tenho grandes aliados ao meu redor: Meu marido, meu filho, minha mãe, minha irmã e tia e, principalmente, Deus, Jesus e Maria.

Não perderei minha fé e permanecerei sorrindo e gritando para todo mundo ouvir: -” MESMO ASSIM… EU SOU FELIZ”.

SORRI

Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos

Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz

 

Charles Chaplin

27
out
11

Lição de Vida

Depois que vi este vídeo, percebi que o céu não é o limite para quem tem fé e valoriza a vida. Costumo dizer que sempre agradeço a Deus pela oportunidade de viver e quando estou triste lembro daquelas pessoas que passam fome, que tem doenças (bem mais graves que a minha e que, muitas vezes, não tem solução) e aquelas que não tem os membros e dependem dos outros. Pois bem, ao assistir esse vídeo “me descadeirei” ou seja “caiu os butiás do meu bolso”. Eu não tenho palavras para descrever a força de Nick Vujicic, só sei que me sinto envergonhada.
Assista e reflita…

Nicholas James Vujicic (Melbourne, 4 de dezembro de 1982) é um pregador e palestrante motivacional e diretor da Life Without Limbs. Nascido sem pernas e braços devido a rara síndrome Tetra-amelia, Vujicic viveu uma vida de dificuldades e provações ao longo de sua infância. No entanto, ele conseguiu superar essas dificuldades e, aos dezessete anos, iniciou sua própria organização sem fins lucrativos chamada Life Without Limbs (em português: Vida sem Membros). Depois da escola, Vujicic frequentou a faculdade e se formou com uma bidiplomação. Deste ponto em diante, ele começou suas viagens como um palestrante motivacional e sua vida atraiu mais e mais a cobertura da mídia de massa. Atualmente, ele dá palestras regularmente sobre vários assuntos tais como a deficiência, a esperança e o sentido da vida.
Filho primogênito de uma família sérvia, Nick Vujicic nasceu em Melbourne,Austrália, com a rara desordem Tetra-amelia: sem membros, faltando os dois braços na altura dos ombros, e sem pernas, mas com dois pés pequenos, um dos quais com dois dedos. Inicialmente, seus pais ficaram devastados, mas Vujicic era saudável.

Crescimento
Sua vida foi cheia de dificuldades e privações. Ele foi proibido por lei estadual de Victoria de frequentar uma escola regular por causa de sua deficiência física, mesmo ele não sendo um deficiente mental. Durante a sua escolaridade, as leis foram mudadas, e Vujicic foi um dos primeiros estudantes deficientes físicos a ser integrado numa escola regular. Ele aprendeu a escrever usando os dois dedos do pé esquerdo, e um dispositivo especial que deslizava sobre o dedão do pé que ele usa para agarrar. Ele também aprendeu a usar umcomputador, jogar bolas de tênis, pentear o cabelo, escovar os dentes, atender o telefone, fazer a barba e obter um copo de água.

Epifania
Como sofreu bullying em sua escola, Vujicic cresceu muito deprimido e, com 8 anos de idade, começou a contemplar o suicídio. Depois de implorar a Deus para crescer os braços e pernas, Nick finalmente começou a perceber que suas realizações foram inspiradoras para muitas pessoas e começou a agradecer por estar vivo. A grande mudança em sua vida foi quando sua mãe lhe mostrou um artigo de jornal sobre um homem lidando com uma grave deficiência. Isso o levou a perceber que ele não era o único que lidava com grandes problemas.[Quando ele tinha dezessete anos, ele começou a dar palestras em seu grupo de oração, e, finalmente, começou a sua organização sem fins lucrativos, a Life Without Limbs.

Carreira
Nick se formou na universidade com 21 anos de idade com uma bidiplomação em Contabilidade e Planejamento Financeiro. Ele começou suas viagens como um palestrante motivacional, enfocando os temas que os adolescentes de hoje enfrentam. Ele fala também no setor corporativo, embora seu objetivo seja se tornar um palestrante internacional de inspiração, com cristãos e não cristãos locais. Ele viaja regularmente para outros países para falar às congregações cristãs, escolas e reuniões empresariais. Ele já fez palestras para mais de três milhões de pessoas até agora, em mais de 24 países nos cinco continentes (África, Ásia, Austrália, América do Sul e América do Norte).
Vujicic promove o seu trabalho através de programas de televisão como o The Oprah Winfrey Show, bem como por escrito. Seu primeiro livro é intitulado Life Without Limits: Inspiration for a Ridiculously Good Life (em português: Vida Sem Limites: Inspiração para uma vida Ridiculamente Boa) (Random House, 2010).
Seu DVD motivacional, um grande objetivo de vida, está disponível no site Life Without Limbs. A maior parte do DVD foi filmado em 2005, com um breve documentário sobre sua vida em casa e como ele faz as coisas sem seus membros. A segunda parte do DVD foi filmada em sua igreja local, em Brisbane, Austrália, e foi um dos seus primeiros discursos motivacionais profissionais. Um DVD para os jovens é intitulado: No Arms, No Legs, No Worries: Youth Version.Seus discursos motivacionais podem ser vistos no Premiere Speakers Bureau Website. Vujicic atualmente vive na Califórnia, Estados Unidos.
Vujicic deu sua primeira entrevista de televisão para todo o mundo, apresentada na ABC, com Bob Cummings, em 28 de março de 2008. Ele apareceu no curta metragem “Butterfly Circus”.

Fonte Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Nick_Vujicic

23
set
10

Observações Importantes

* Vai fazer três meses que estou morando sozinha com o meu filho. Meu apartamento é muito lindo e grande, está todo mobilhado e aos poucos eu o estou decorando. O apto fica há cinco quadras da casa da mãe e seguidamente vou lá comer feijão já que não me sinto madura o suficiente para preparar este prato… hehehhehe.
* Minha mãezinha está linda e magra. Ela fez, há três meses, cirurgia de redução de estomago, emagreceu mais de 25 quilos. Ela está bem e muito feliz. Ela está fazendo mestrado e passa estudando. Parabéns mãe pela coragem e determinação.
*Estou há 5 meses e 7 dias sem baixar hospital.
*Estou anêmica e foi necessário faze transfusão de sangue. O legal foi que meus colegas de trabalho, do Centro Social Marista Santa Marta, foram os doadores.

19
abr
10

5ª Parte – Mais uma Cirurgia

Infelizmente, passei por mais uma cirurgia, que na verdade não foi de toda ruim. Eu necessitei tirar o implante da paratireóide que a doutora colocou na ultima operação, pois o funcionamento estava alterado e meu PTH tbm, fato que gerava dor nas juntas (joelhos e tornozelos). Fiz a cirurgia na sexta-feira, dia 16 de abril. Hoje, eu já me sinto bem melhor, apesar de ter passado o dia inteiro dormindo, acho que dopada, devido a anestesia geral.
Ainda bem que me sinto melhor e que o procedimento cirurgico ocorreu bem. Estou doida para ir pra casa, voltar a trabalhar e sair normalmente.

11
abr
10

TENHA FÉ… TENTE OUTRA VEZ!

(…)”TENHA FÉ EM DEUS, TENHA FÉ NA VIDA… TENTE OUTRA VEZ”(…)

11
abr
10

Recomeçar é o meu lema…

      • Muitas vezes, as pessoas me questionam como é possível alguém cheia de problemas, como eu, estar sempre pronta para a próxima. Eu realmente tenho um grande segredo… Além da fé, que acredito remover montanhas, eu estou sempre pronta para recomeçar.

  • 09
    abr
    10

    Hospital de Caridade

    Mais uma vez me encontro aqui no hospital de Caridade. Lógico que não estou muito feliz, pois tive que parar de trabalhar e isso me faz ficar um tanto chateada. No entanto, confesso que sou muito bem tratada aqui. Como faço tratamento de saúde há, mais ou menos, 15 anos os médicos, as enfermeiras, as técnicas em enfermagem , as meninas do laboratório e até mesmo os funcionários do DIX (radiografica, tomografia, ultrasson) me tratam de maneira diferenciada, com muito carinho e atenção.
    Bom, desta vez vim fazer diversos exames, pois meu PTH está alterado fato que faz eu sentir muitas dores nas articulações e dificuldade para caminhar. As glândulas paratireóides são as responsáveis pelo controle do cálcio nos ossos e na última vez que eu estive hospitalizada fiz uma cirurgia no pescoço para retirá-las, no entanto, os exames permanecem alterados fato que me leva a crer que eu sou “uma grande sortuda”. A medica que me trata está pesquisando, ela não sabe qual é o problema comigo, mas crê que eu farei uma nova cirurgia. Espero que não seja nada de mais.
     Não adianta reclamar!!! Não posso pedir a Deus que me dê cargas mais leves, imploro, neste momento, por ombros mais fortes…

    16
    fev
    10

    Doe orgãos e Salve Vidas Como a Minha

    PRECISAMOS DE VOCÊ - Doe Orgãos

    Doar órgãos é um ato de AMOR, NOBREZA E BENEVOLÊNCIA. É o nosso último ato de bondade. SALVAR VIDAS é a obra mais divina que um ser humano é capaz de realizar. É Sublime!

    Doando órgãos você estará presenteando uma pessoa que está a mercê da morte, desejando viver normalmente e, além disso, você estará dando continuidade a tua própria vida, uma vez que você estará presente dentro de um receptor que, com certeza, será grato por sua ação pelo resto da sua existência.

    REFLITA SOBRE ISSO

    Permita que aqueles que batalham diariamente para sobreviver renasçam novamente e usufruam da dádiva divina que é viver. Todos têm direito de recomeçar suas vidas, mas tem pessoas que para retomarem elas, de maneira “normal”, necessitam de um transplante.

    Exerça uma boa ação e se inclua no roll dos homens que serão lembrados por sua bondade e heroísmo. Afinal, após a morte seus órgãos não terão mais serventia, não é mesmo?

    Salve Vidas – Doe Orgãos

    (Obs: Informações sobre a doação de orgãos na página ao lado).

    Entre na minha comunidade no orkut

    http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=3754182

    12
    fev
    10

    Em casa…

    Hoje faz uma semana que eu estou em casa. Fiz minhas unhas, me depilei, pintei meu cabelo e escovei. Estou tentando me abtuar com a nova realidade, pois não é facil ter que redirecionar minha vida e encaixar as hemodiálises que ocorrem três vezes por semana e 4 horas diárias, mas vou levando. Ainda não me sinto corajosa para sair sozinha, mas aos poucos vou fazendo uma que outra atividade doméstica.
    Sinto-me muito magra e frágil, pareço um pavio que está preste a estourar. Não gosto de ouvir barulhos e nem de receber muitas visitas… não consigo comer normalmente… Durmo muito e tomo uma tonelada de medicamentos. Assusto-me com qualquer coisa e tenho uma necessidade imensa de conversar e expor o que sinto.
    Fico torcendo para melhorar logo. Quero voltar a trabalhar e a sair como antigamente. Meu braço está ficando feio, fato comum para quem faz hemodiálise, mesmo assim fico inventando estratégias para esconder as lesões. No entanto, me sinto feliz por ter tirado de letra a fase mais UMA DAS FAZES MAIS CRITICA DA MINHA VIDA e grata a todas as pessoas que torcem por mim.

    SOU FORTE

    02
    fev
    10

    Se foram os dias…

    Se foram os dias e eu fico aqui. Passo me questionando o motivo que eu estou aqui e sempre encontro resposta. Tento tirar da minha cabeça qualquer sentimento, pensamento ou sensação ruim, mas as vezes tenho medo. Rezo: (…) “ainda que eu ande no vale das sombras e da morte, não temerei mal algum, pois o Senhor está comigo”.
    Os enfermeiros me tratam com tanto carinho que percebo que é Deus me transmitindo seu amor infinito e me dizendo que está ao meu lado. Aguardo a alta, palavra que nunca fora pronunciada por nenhum médico. Ajusto os diversos medicamentos que ao todo são 10 tipos, no entanto, somam-se 22 comprimidos, mais o cálcio venoso, a injeção para dor (morfina) e a ampola de eprex para anemia… Doídas que nem sei. Conto os segundos, minutos, horas… Invento histórias… vejo filmes, recebo visitas. Dou risada das minhas próprias tolices e me divirto com as “aventuras” da minha mãe. Sinto saudades do meu filho… Estou aqui enclausurada há um mês, duas semanas, 2 dias, 40 horas e 18 segundos.

    Bom…

    No tempo em que fico aqui lembro de grande parte das hospitalizações, mas não só das dores, pois a maioria delas já “sublimei”, relevei, esqueci. No entanto, cada hospitalização foi especial, já que tive a oportunidade de conhecer pessoas singulares, pessoas guerreiras, que assim como eu lutam para viver um pouco mais

    e são gratas pela oportunidade que Deus nos deu: A VIDA!!!
    Lembro das brincadeiras, das risadas, das lágrimas de gratidão,
    do carinho que recebi dos meus amigos. Lembro dos surdos que ouviam e dos cegos que enxergavam. Dos paralíticos que andavam com o “toco” das pernas. Lembro das orações e das músicas religiosas. Lembro da minha fé infinita no poder de Deus, na força de Jesus… lembro que nunca estive sozinha, mesmo sem ninguem ao meu lado e que tudo serviu de lição.

    Eu ainda tenho meus braços, minhas pernas, meus olhos enxergam o suficiente, eu tenho a honra de poder ouvir. Meu coração funciona 50%, minhas pernas já não doem mais, minha coluna está ereta, meu sorriso permanece estampando meu rosto.
    Deus me abençoou com esta doença, pois sabia que eu era capaz… não foi punição, pois ainda, mesmo que limitadamente, posso usufruir de todas as maravilhas do mundo. Eu posso ajudar o meu próximo me doando de coração. Minha missão ultrapassa o ato da simples caridade… não quero só dar o pão a quem necessita, quero transformar o mundo em algo melhor para meu filho, para o seu filho, para os filhos da nação. Sei que o caminho será longo, mas aos poucos, ao verem meu exemplo, outras pessoas desejaram viver em um mundo melhor com menos injustiças, com menos “terror”, menos miséria moral e espiritual… Porque se eu posso… você que está cheio de saúde pode também.

    Lembrei agora do Glee…

    Glee é um seriado americano, destinado para adolescentes, sobre uma academia de ensino médio que possui  um coral formado por adolescentes de etnias, gêneros e estilos diferentes (o seriado assemelha-se ao filme High School Musical), mas possui como diferencial as lições morais apresentadas em cada episódio. Neste “capítulo” o coro escolar assistiu a apresentação de um coral composto por jovens surdos. É maravilhosamente emocionante, pois nos damos conta que somos capazes de superar o insuperável e fazer o impossível. O Grupo vocal canta a famosa música de John Lennon.


    Tradução:

    Imagine

    Imagine

    Imagine there’s no heaven Imagine que não há paraíso
    It’s easy if you try É fácil se você tentar
    No hell below us Nenhum inferno abaixo de nós
    Above us only sky E acima de você apenas o céu
    Imagine all the people Imagine todas as pessoas
    Living for today Vivendo para o hoje
    Imagine there’s no countries Imagine não existir países
    It isn’t hard to do Não é difícil de fazê-lo
    Nothing to kill or die for Nada pelo que lutar ou morrer
    And no religion too E nenhuma religião também
    Imagine all the people Imagine todas as pessoas
    Living life in peace Vivendo a vida em paz
    You may say, Talvez você diga que
    I’m a dreamer eu sou um sonhador
    But I’m not the only one Mas não sou o único
    I hope some day Desejo que um dia
    You’ll join us você se junte a nós
    And the world will be as one E o mundo, então, será como um só
    Imagine no possessions Imagine não existir posses
    I wonder if you can Surpreenderia-me se você conseguisse
    No need for greed or hunger Sem ganância e fome
    A brotherhood of man Uma irmandade humana
    Imagine all the people Imagine todas as pessoas
    Sharing all the world Compartilhando o mundo
    You may say, Você pode dizer
    I’m a dreamer Que eu sou um sonhador
    But I’m not the only one Mas não sou o único
    I hope some day Desejo que um dia
    You’ll join us Você se junte a nós
    And the world will be as one E o mundo, então, será como um só
    01
    fev
    10

    4ª Parte – Mais uma cirurgia

    “Se meus joelhos não doessem mais”… (O Rappa)

    Após a retirada do meu ovário, permaneço no hospital e os dias se vão lentamente. A loucura, às vezes, quer me dominar e as lágrimas tomam conta dos meus olhos. Levanto com dificuldade e tento esquecer as cicatrizes espalhadas em meu corpo.
    Será a 11ª cirurgia.
    Me preparei e mentalizei que não teria medo e que a dor seria passageira.
    Tomei banho, me maquiei… escova, chapinha, alguns cachos…
    Lá fui eu para o “açougue”.
    Olhares admirados…
    – Patrícia, você aqui de novo? Perguntou aquela antiga enfermeira.
    – Sim, vim para a festa. Agora farei esta cirurgia e não sentirei mais dor, não cairei mais pelas ruas, não terei que pedir ajuda para me reerguer… seguirei em frente, com as costas retas, com as pernas estendidas, com as mãos firmes… SEM DOR nas articulações.

    Ocorreu tudo bem.

    Ao abrir os olhos parecia que havia dormido por um longo tempo. (3:30)
    Uma sensação incomoda no local cortado…
    Mexi minhas pernas, meus joelhos não doem mais. Minhas mãos fecham totalmente.
    – Posso ir para o quarto? Perguntei ansiosa.
    – Não!
    – Está bem, vou dormir e quando acordar tudo terá passado. (27/01/2010)

    Hoje, (01/02), fiz força e levantei, tonteei, sentei, quase cai… não desisti!
    Insisti em tentar equilibrar a cabeça sobre o pescoço, não ouço, me canso, descanso, me amanso e durmo… resumo: amanhã estarei melhor e o mais importante… meus joelhos não doem mais.

    Amo minha vida!!! Não desisto, insisto, persisto…

    19
    jan
    10

    3ª Parte – Sobrevivo

    A esperança nunca morre!

             

    “Lute diante das coisas mais difíceis de sua vida com amor e sabedoria, para que um dia você possa olhar para trás e dizer:

    - Foi dificil, mas venci”. (desconheço o autor)

    Em janeiro de 2010 voltei a fazer hemodiálise, pois meu rim transplantado parou de funcionar. Terei que retornar a fila de transplante e aguardar por um novo órgão. Meu coração quase parou, estava funcionando 25% e meu intestino ficou parado por 15 dias.
    Agora me sinto melhor, mas permaneço hospitalizada. Estou com hiperparatirioidismo e vou fazer uma cirurgia nesta semana para retirada do pequeno tumor benigno, fato que irá anular as dores que sinto pelo corpo, a falta de fome e o cansaço).

    19
    jan
    10

    Lutar Sempre, Desistir Nunca

    Já passei por tantas dificuldades na vida que, às vezes, não sei explicar como superei tudo aquilo.

    Já esperei a morte, já achei que não haveria mais esperança e já senti vontade de desistir desta existência.
    Agora, não tenho nada a reclamar, pois gozo de excelente saúde, me formei e fui chamada para trabalhar em 5 locais diferentes!
    Poxa, acho que finalmente Deus olhou para terra e disse:
    - Vou dar uma forcinha para aquela coitada.
    E deu!
    Lógico que antes eu sempre senti Ele presente em minha vida, mas, agora, estou certa de que minha provação cessou e, digo mais, só coisas boas estão acontecendo em minha vida – em todos os aspectos. Mesmo com todas as perdas, dores e frustrações eu sempre fui feliz, mas me sentia incompleta.
    Nunca fui de me queixar, mas, antes, quando algo estava bom outro estava péssimo. 
    E, sinceramente, que coisa boa encher a boca e dizer:
    - Venci! Tudo aquilo é passado. E que venha o futuro!
    É lógico que não vou agradecer apenas a Deus, pois eu estaria esquecendo de muitas pessoas que torceram por mim.
    Agradecer..agradecer e agradecer será um ato que terei que fazer para o resto da minha vida – com muito prazer!
    Existem pessoas de todo o Brasil que oraram e oram por mim e esse fato foi um dos motivos que me fortaleceu e motivou para que eu chegasse onde estou.
    Agradecer ao meu pai (que deve me cuidar… seja lá onde ele estiver).
    Para minha mãe (que é pura preocupação, coragem e dedicação) que me estimulou ao crescimento pessoal e moral. Uma pessoa impar que me fez ser singular! Uma pessoa digna, ética e generosa. Sem palavras pra dizer o quanto amo esta mulher divina.
    Para minha irmã (fonte de sabedoria e esperteza) que muito me fez rir nos momentos de tristeza e me dá todo o amor que preciso.
    Para minha dinda Graça que sempre me cuida e para meu filhinho Júnior.
    Ao Diabo (simmmmmmmmmm…. a ele… pois se eu não morri é porque ele não permitiu que eu entrasse no inferno) rsrsrs.
    Aos meus amigos que sempre estiveram presentes ao meu lado e sempre elogiaram minha força de vontade.
    O mais legal de tudo isso é que…EU SOU MUITO FELIZ, no momento estou colhendo os frutos das belas sementes que eu plantei…
    … vou morrer de velha…
    … vou continuar saindo para dançar…
    …vou pegar frio e andar em dia de chuva de tele-moto… (brincadeirinha)
    …vou trabalhar e ser reconhecida como uma excelente profissional. (com certeza)
    …vou ter um carro, uma casa e comprar todos os perfumes, jóias, roupas e calçados que vejo nas revistas…
    …vou escrever um livro e ter uma mansão numa praia deserta…
    E ai de quem duvide de mim, pois se até agora tirei de letra tudo que passei, o resto será moleza.
     
    Estou ciente que minhas funções físicas são limitadas, mas meu espírito é livre… e ele ninguém poderá prender…
    Sou como um pássaro e o pássaro sempre vai para onde bem entender.
    Creio que errei o calculo quando, no céu, passei na fila da saúde, aliás, devo ter ficado horas na de beleza e na da teimosia, mas e daí?
    Vim aqui pra virar uma estrela…
    …possuo este problema de saúde que me torna cada vez mais persistente e cada dia mais forte, pois de qualquer forma curto a vida e não vou deixar as linhas do livro da minha história em branco…vim para deixar grandes marcas e boas recordações.
    EU SOU GUERREIRA!!!

     

    Nunca se preocupe demais e nem tente voltar atrás! Siga as instruções de uma vida sem saudade, pois assim é melhor… Se o chão se abrir e você sentir que já não tem mais forças confie e acredite, sempre um pouco mais.Se existe o caos e a dor, também existe a fé e a esperança. Algo maior, algo melhor! Não é felicidade, amor, carinho e sim viver e aceitar que pra cada dia ou pensamento que ferir seu coração, vai existir a recompensa por tudo o que você passou. Para cada sonho que perdeu, encontrará um novo sonho inteiro ao seu dispor. A VIDA É ASSIM…CHEIA DE MAGIA E ENCANTOS!

    18
    jan
    10

    2ª Parte – A Hemodiálise e o Transplante

    Independente do problema de saúde eu sempre levei uma vida normal, saia para dançar, estudava, trabalhava e namorava. Meu primeiro namoro sério durou 7 anos. Engravidei. Sempre soube que não poderia ter filhos, pois mulheres com lúpus correm risco de vida e podem ter hemorragia durante a gravidez. O fato de ter tomado plaquinol agravava a situação, já que o uso deste medicamento poderia prejudicar o desenvolvimento do feto, podendo ele nascer com deformidades físicas. Os médicos cogitaram a hipótese de fazer um aborto, mas não aceitei.  A gestação foi tranquila e no dia 24 de março de 1999, me tornei mãe de um menino, que nasceu de 7 meses e 3 semanas, com 2 quilos e 40 cm.
    “Graças a Deus meu filho é saudável, inteligente e respondão. Adoro as perguntas que ele me faz, a visão de mundo que ele tem e a fascinação por coisas antigas como músicas, histórias e teorias”.
    Dois meses após o parto, o lúpus ativou e um dos meus rins parou de funcionar. Tomei muito corticóide, fato que ajudou na desativação da doença. Mas oi nesta fase que necessitei iniciar a hemodiálise, pois eu encontrava-me muito intoxicada. As seções duravam 4 horas, e ocorriam três vezes por semana. Inicialmente coloquei um cateter no pescoço para poder fazer o tratamento, peguei uma infecção grave e tive que trocar o cateter diversas vezes. Para inseri-lo no pescoço é necessário uma micro cirurgia com anestesia local, a pessoa fica posicionada horizontalmente, mas com a cabeça inclinada para baixo e permanece naquela posição até que o médico insira o cateter na jugular, não é fácil, e esta é uma das piores recordações que tenho. Devido ao auto-nível de intoxicação que eu me encontrava o médico impôs diversas restrições como ingerir alimentos sem sal, tomar apenas 200 ml diário de líquidos, não comer nenhum alimento que contivesse potássio (isso significa que eu não podia comer quase nada). Está fase foi bem difícil, tive dificuldade de adaptação e aceitação, não queria tomar os medicamentos e nem ir nas sessões, chorava todos os dias.
    Após me acostumar com a situação voltei a ter uma vida social agitada. Fiz vestibular para cursar serviço social. Adorei a faculdade de cara e percebi que era exatamente aquilo que eu queria fazer, transformar a realidade através do fazer social e garantir direitos para efetivar a cidadania. Apeguei-me com a turma, encontrei colegas que se tornaram amigos, praticamente todos, pessoas que me deram muita força para superar as fases críticas de hospitalização e o tratamento, inclusive os professores (em especial a professora Nice, Carin e a Nildete). A faculdade foi a minha maior felicidade, depois do meu filho é claro, mas me entristecia o fato de não poder me formar com os meus colegas por causa dos horários da hemodiálise que tomavam muito meu tempo.
    No segundo ano de hemodiálise, primeiro ano de faculdade, retirei meus dois rins, já que a minha pressão arterial andava muito elevada (24 por 18) e meu coração passou a apresentar arritmia cardíaca o que agravava mais o meu quadro clínico. A cirurgia deveria durar 5 horas, durou 7.
    Ao acordar, na sala de recuperação, minha mãe entrou no bloco e me explicou que a cirurgia havia sido muito complicada e que o médico levou 7 horas para localizar um único rim e que seria necessário fazer outra cirurgia dali a dois dias. Os médicos colocaram, para minha progenitora, que meus rins reduziram de tamanho e se deslocaram do local habitual. Eu fiquei mais desesperada quando percebi que minha fístula, união de uma veia com uma artéria, não estava funcionando. Os médicos tiveram que me submeter, no dia seguinte, a outra cirurgia no braço para reconstruir a fistula. A cirurgia é simples, dura em torno de 1 hora e meia, a anestesia é local, mas é dolorosa. A fístula leva um mês para “amadurecer” e só depois deste tempo ela poderá ser utilizada. Isso significava que eu teria que colocar mais um cateter no pescoço. Fiquei tão nervosa e chorei tanto que acabei entrando em um transe tão profundo que acordei 2 dias depois.

    Eu sou um ser humano, me permiti ter um ataque de nervos, gritei, chorei e esperneei. Não posso ser Poliana sempre (livro que conta a história de uma menina que sempre via o lado positivo das coisas fazendo o jogo do contente)  não posso suportar tudo, sou um ser humano, tenho sentimentos e tudo aquilo foi de mais para mim.

    Bom, no quarto dia fui para o bloco cirúrgico para fazer a terceira cirurgia, retirar o outro rim. Depois de 6 horas os médicos o encontraram atrás do meu pulmão. Completaram-se 4 anos de tratamento e o cansaço assolava meus dias. Já não aguentava a rotina desgastante da hemodiálise e foi a faculdade que colaborou com a minha aceitação da realidade. Completava 2 anos de curso e entrei em férias. O meu pedido de natal para o Papai Noel foi um rim, pedi ele também para Deus, para Jesus, para Maria e para todo e qualquer alma boa que quisesse me ajudar.
    Foi nesta época que recebi a noticia que era a 5ª possível transplantada, haviam 4 pessoas na minha frente. Foi uma correria só, fui para o hospital universitário e fiz ecograma, ultrasson, RX, exames de sangue e fui para hemo. Algo me dizia que eu seria a privilegiada. Todos torciam comigo, os médicos, as enfermeiras e meus amigos estava muito ansiosos. Eu fique muito calma e sorridente, na noite anterior eu não havia dormido, pois sentia uma ansiedade e cheguei a comentar para minha grande amiga Lousi, que posou na minha casa, que eu estava sentindo uma sensação estranha e que parecia um pressentimento que algo poderia acontecer. E era mesmo. Aquele rim abençoado era pra mim.
    No dia 19 de janeiro de 2006 recebi o maior presente que eu poderia ganhar, aquilo que tanto desejei, graças a Deus. Uma família maravilhosa e esclarecida resolveu perpetuar a vida do seu filho doando seus órgãos para outras pessoas. Em um momento de dor tomaram uma sabia decisão. Sempre tive vontade de conhecer a família desta pessoa para dizer que eles perderam um ente querido, mas salvaram a vida de uma pessoa que luta muito para viver. Eu me recuperei rápido do transplante, urinei na mesa da sala cirúrgica e a dor que senti foi minima perto da minha felicidade.
    Com 23 dias de transplante desfilei no carnaval, representado a escola de Samba Vila Brasil, minha escola do coração, ela foi campeã naquele ano. Consegui me formar junto com os meus colegas, mas não pude estar presente na formatura, pois peguei uma infecção.
    O rim que recebi não funcionava muito bem,mas de qualquer modo foi este rim que permitiu a realização de muitos sonhos e que me proporcionou diversas alegrias e oportunidade, como de trabalhar.
    O lúpus nesta fase não mais ativou e não fiquei com nenhuma sequela da doença, apenas marcas emocionais do percurso árduo. Após aprender conviver com o LES foi fácil fazer o tratamento. Estive diversas vezes hospitalizada, minha imunidade se altera facilmente e tenho que fazer uso continuo de medicamentos, no entanto, tudo passou. No decorrer da minha vida fiz muitas cirurgias, mais de 15 e em um único ano baixei hospital 16 vezes.
    Comecei a trabalhar e nunca mais parei. Trabalho em prol de pessoas que vivem em vulnerabilidade e risco social e dou o melhor de mim, pois esta é a maneira de agradecer a Deus por todas as graças que ele me deu.
    Como o meu rim possuía a função de apenas 15%, o médico estimou que ele pararia de funcionar em um ano, mas, surpreendentemente, a função durou quatro anos e eu, com certeza, sai ganhando. Atualmente, estou fazendo hemodiálise e estou trabalhando. Ainda saio, ainda faço festa e ainda vivo cada dia como se fosse o último. Sou grata a Deus, sou grata à família do doador e só tenho a dizer que valeu a pena e que não me arrependo de nada, pois Deus sabe o quanto aproveitei.

    Tudo Depende de Mim!!!

    18
    jan
    10

    1ª Parte – A descoberta do Lúpus

    Aos 14 anos, participei de um concurso de beleza. As candidatas, que ganharam na primeira fase, foram apresentadas a população santamariense, em uma carreata. Lembro que aquele dia o calor era demasiado, a temperatura estava em torno de 40ºC.  Após a longa carreata, todas as candidatas se dirigiram até a prefeitura que estava com o ar condicionada ligado. Ao adentrar o local, senti um arrepio e durante o discurso do prefeito comecei a passar mal. Participei do concurso Municipal já apresentando sinais de febre.  Me classifiquei como 2ª Princesa e como premio ganhei aulas de modelo em uma agência conhecida no Estado.
    A febre permaneceu por dias, dores no corpo e de cabeça. Minha pele foi tomada por uma alergia, mas permaneci frequentando o ensino fundamental, fazendo educação física e dançando.

    Certo dia percebi que meu joelho encontrava-se inchado. Agora eu estava com febre, dores no corpo, dores de cabeça, alergias, tosse, e o joelho inchado. Os dias se passaram e outras juntas do meu corpo começaram a inchar, foi ai que minha mãe decidiu me levar no médico. Fomos até um reumatologista, que me examinou, solicitou alguns exames e me encaminhou para o Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM). Ouvi o médico balbuciar bem baixinho para minha mãe que ele suspeitava que o que eu tinha era grave, muito grave!
    Uma semana depois minha mãe e eu nos dirigimos até o hospital, já com os exames prontos. O médico nos atendeu, observou os resultados dos exames e imediatamente me encaminhou para internação hospitalar. Deitei em uma maca e “dormi” por três dias. Ao acordar muitos médicos me examinavam e o chefe deles me explicou que eu sou portadora de Lúpus Eritomatoso Sistêmico, uma doença crônica que atinge, geralmente, mulheres. Ele falou que esta doença é denominada autoimune, pois desenvolve anticorpos que reagem contra as minhas próprias células sanguíneas e assim prejudicou meus rins, acarretando em um problema chamado sindrome nefrótica, e infeccionou as minhas juntas, que ocasionou a artrite, fato que fez com que eu parasse de andar por alguns meses.
    Eu estava com a creatinina muito alterada, fator que me intoxicou bastante e para desativar a doença e normalizar meu organismo os médicos iniciaram o tratamento com corticóides e com quimioterapia (ciclosfosfamida). Fiquei internada por 4 meses e fiz a quimioterapia durante 2 anos. Inicialmente, fazia semanalmente, foi difícil, mas permaneci indo as aulas. Lembro que fazia este tratamento todas as segundas – feiras, ficava enjoada e cansada durante a aplicação, mas voltava para casa bem e comia como uma condenada. De terça a domingo vomitava muito e no entardecer de domingo me sentia melhor, mas na segunda retornava ao hospital para aplicar o medicamento novamente. Emagreci muito, fiquei  esbranquiçada, perdi cabelo, mas aquela fase passou. O Lúpus ativava em certas temporadas e era inibido com altas doses de corticóides. Tive pneumonia 4 vezes seguidas, gastrite devido o elevado uso de medicamentos, convulsões, problemas respiratórios. Lembro que usei para artrite um medicamento muito forte e caríssimo chamado plaquinol, usado também nas vítimas do ebola, este remédio possibilitou que eu voltasse a caminhar.
    Baixei hospital por diversas vezes e logo descobri que perdi todos os meus amigos, pois eles achavam que a doença que eu possuía era contagiosa. Exceto o meu vizinho Rodrigo, ele não tinha medo de se aproximar de mim. Brincava comigo, ria das minhas piadas e dormia no chão do meu quarto. Acho que ele nunca viu as bolhas espalhadas sobre a minha pele, minha barriga e bochechas dilatadas, minhas juntas inchadas e minha calvície frontal temporária. O ato do garoto causou admiração na minha mãe que sofria tanto quanto eu.  Rodrigo era como um filho, passava o dia conosco, estudava na escola que minha mãe dava aula e, muitas vezes, viajavamos muito. 

    Está época foi muito difícil, mas passou e ao lembrar dela só sinto gratidão e não sofro nem um pouco. Lembro com muito carinho dos médicos que me atenderam no HUSM, dos nossos vizinhos, principalmente, da dona Eronita e da falecida Bela mãe do Rodrigo que sempre levava minhas roupas na Igreja Universal do Reino de Deus, da minha família que sempre esteve incentivando a minha melhora, das professoras da escola que mandavam o material para eu estudar no hospital e das enfermeiras e enfermeiros que me alegravam e brincavam comigo durante os cinco meses que fiquei hospitalizada. Serei eternamente grata aos ex-vizinhos de Alvorada que fizeram chás beneficentes para colaborar com a compra dos meus medicamentos.

    17
    jan
    10

    Apresentação

    Por meio do relato da minha biografia pretendo provar que podemos encarar os contratempos cotidianos com garra, determinação e coragem, sem jamais esmorecer. Acredito que cada momento da nossa vida serve como lição e é, por isso, que devemos aprender e nos fortalecer com as dificuldades, encontrando, sempre, motivos para ser feliz.

     

    10
    abr
    12

    Inspiração!

    Sempre que me sinto pra baixo, sem esperança, procuro por inspiração. As vezes, uma música me estimula, uma imagem talvez, mas, ultimamente, tenho visto videos e, através deles, conhecido histórias de diferentes pessoas. Pessoas como eu e você, pessoas que superam as adversidades de maneira impressionante.  Pessoas que podemos sempre ter como exemplos, pessoas como ela…




    Calendário

    agosto 2014
    D S T Q Q S S
    « abr    
     12
    3456789
    10111213141516
    17181920212223
    24252627282930
    31  

    Já dizia Fernando Pessoa…

    ..."aprendemos no fim que desistir não vale a pena".

    prpy@hotmail.com

    Junte-se a 5 outros seguidores

    Visitante nº

    • 9,166 hits

    Seguir

    Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.