By pattypy

DEFESA EM DESEQUILÍBRIO
Mais comum nas mulheres, o lúpus é uma doença que afeta o sistema imunológico do paciente.

Márcia Neri

Publicação: 21/07/2009 as 08:00

Correio Brasiliense.

 

A morte do cantor Michael Jackson, no último dia 25, chamou a atenção para uma doença pouco conhecida e que afeta o sistema imunológico dos pacientes: o lúpus. Segundo um de seus médicos, o astro pop teria convivido com o mal durante os últimos anos de sua vida. Mais comum nas mulheres, a enfermidade é de difícil diagnóstico, embora possa apresentar uma série de sintomas. Isso faz com que, muitas vezes, o início do tratamento demore a ocorrer, colocando em risco a vida das vítimas.
Foi o que aconteceu com a universitária Maiara Amaral Dornelles, 21 anos. Ainda na adolescência, ela passou a sofrer com inchaço nas mãos, cansaço, falta de apetite e febre. Preocupados, seus pais a levaram a diversos médicos, que não conseguiam entender o que se passava com Maiara. A demora em identificar o mal a deixou tão debilitada que, em pouco tempo, a estudante não conseguia se levantar da cama. “Acho que a diversidade de sintomas confundiu os médicos. Um deles chegou a cogitar que eu tinha leucemia. Fui internada muito doente, pois meus pulmões, rins e medula óssea foram afetados”, relata.
O reumatologista Rodrigo Aires Correa Lima explica que o lúpus é uma doença crônica autoimune de causa desconhecida, mas que pode ser tratada e controlada com medicamentos. Ao contrário do que muitos pensam, não se trata de um tipo de câncer. “O sistema imunológico do paciente com lúpus é desregulado. As células, que deveriam defender o organismo, começam a atacar os próprios órgãos e tecidos”, explica. “Em geral, o diagnóstico não é imediato e assusta muito os pacientes, além de trazer receios aos médicos, que podem confundi-la com o câncer por conta das nuances do mal. Algumas pessoas têm manifestações brandas, outras, muito graves”, completa Lima, que também é presidente da Sociedade de Reumatologia de Brasília.
Alguns estudos sugerem que a doença é desencadeada por um conjunto de fatores. “O mal tem uma carga genética, mas não existe um gene único responsável pela doença, tanto que ela não é congênita. Geralmente, ela é adquirida na fase adulta por pessoas com certa predisposição, somada a fatores ambientais, hormonais ou emocionais. As mulheres em idade fértil são as mais atingidas e representam 90% dos pacientes”, informa a reumatologista e professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Lilian Tereza Costallat.
Dores nas articulações e nos músculos, sensibilidade ao sol, lesões ou vermelhidão no rosto e nas áreas mais expostas, cansaço e perda de peso são algumas das possíveis manifestações do lúpus. A especialista da Unicamp, porém, explica que existem pelo menos quatro variações da doença. “O mais preocupante é o lúpus eritematoso sistêmico (LES), que atinge mais de um órgão. As manifestações mais sérias ocorrem nos rins, que podem ter suas funções comprometidas”, alerta Lilian. A médica enfatiza, no entanto, que, quando diagnosticado e tratado a tempo, o paciente pode levar uma vida praticamente normal. “Os medicamentos disponíveis são muito eficazes”, garante.
Os doentes que receberam o diagnóstico a tempo de se tratarem confirmam: conviver bem com o lúpus é perfeitamente possível. “Levei um tempo para me recuperar, mas hoje levo a vida normalmente, como qualquer outra jovem da minha idade. Voltei a dançar balé, adoro sair com os amigos e tenho uma rotina agitada”, conta Maiara. “Procuro apenas ter cuidado com o sol e tento não ficar estressada, pois, quando isso acontece, o inchaço nas mãos e a dor no peito reaparecem”, conta a universitária.
Novos medicamentos

Não existem estudos que apontem o número de doentes no Brasil, mas alguns médicos estimam que cerca de 80 mil brasileiros tenham lúpus. Segundo Rodrigo Lima, a provável incidência no Distrito Federal gira em torno de 14 a 50 casos para cada 100 mil habitantes.
O desconhecimento sobre a origem da doença não impediu que as terapias evoluíssem e que novos medicamentos fossem incorporados ao tratamento. Há algumas décadas, os médicos controlavam os sintomas com corticoides (1). A droga representou um grande avanço e salvou muitas vidas, mas, se usada a longo prazo, se torna tóxica. “Nos últimos anos, os imunossupressores (2)e as terapias biológicas, que agem com a remissão mais específica da doença sem os efeitos colaterais do corticoide, se mostraram excelentes alternativas para as vítimas do lúpus. É importante termos opções, pois cada organismo responde de uma maneira diferente aos tratamentos. Essas drogas reduziram muito a mortalidade”, afirma Lima.
O servidor público Silvestre Viana da Silva Júnior, 26 anos, descobriu que tinha lúpus há 14 anos. Ele é um exemplo de que o fator genético pode realmente desencadear a doença, já que ela também acometeu suas avós. “Tive uma suposta tendinite que não melhorava. Passei por vários ortopedistas e não conseguia ficar curado. Na verdade, era uma das manifestações do lúpus. Quando a doença foi diagnosticada por um reumatologista, meus pulmões já estavam comprometidos, mas graças aos medicamentos consegui ficar bom”, lembra.
No ano passado, depois de tomar chuva, Silvestre voltou a ter problemas nos pulmões. “Foi descuido meu. Acabei internado oito dias, mas estou muito bem e sei que vou viver muito, basta ter alguns cuidados. Me sinto um cara de sorte, pois a doença não afetou nem atrasou a minha vida. Me formei, casei e tenho uma família linda”, comemora.


0 Responses to “f) A difícil detecção do Lupus”



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